4 de dez de 2012

Vergonha



Hoje quero manifestar minha solidariedade com as mais de mil pessoas que foram humilhadas na fila para atendimento no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, o Into, localizado na Avenida Brasil. Elas esperavam desde domingo para pegar uma senha para atendimento no hospital.
Pessoas com problemas de locomoção, usando muletas, cadeiras de rodas, virando a noite para garantir um direito básico: o direito de ser atendido em um hospital público! Sinto-me envergonhado por presenciar cenas como essa em pleno século XXI.
A direção do hospital alega que foi pega de surpresa com a grande demanda. Mas a pergunta que fica é: por que manter um sistema arcaico e ultrapassado de atendimento, obrigando os pacientes a passar a noite em uma fila? Isso é de uma incompetência tremenda. E isso em uma unidade que é referência nacional!
Depois da confusão de ontem, a direção do INTO afirmou que tudo não passou de um mal entendido. As pessoas poderiam marcar atendimento pelo telefone. Mas experimentem ligar, e verão que ou ninguém atende ou só dá ocupado. De acordo com a instituição, foram marcadas mais de três mil consultas só ontem, entre atendimentos presenciais e por telefone.

Foto: O Globo

O jornal O Globo afirma, na edição desta terça-feira, que as metas de atendimento do instituto não foram alcançadas. A nova sede, que foi inaugurada em agosto do ano passado, foi projetada para receber até três vezes mais cirurgias que a sede antiga, na Rua do Rezende. As consultas ambulatoriais deveriam aumentar de 102 mil para 305 mil, mas ainda não foi atingida. A espera deveria cair de 36 meses para 12, mas também não se chegou lá.
Fora a bela reputação construída ao longo de décadas pela instituição, é preocupante e revoltante saber que foram gastos milhões de reais para ampliar uma estrutura que não está sendo utilizada em sua plenitude. Para funcionar bem, uma casa precisa ter seus alicerces bem estruturados. No caso dos hospitais, com profissionais de saúde em quantidade suficiente para dar conta do atendimento, em condições satisfatórias.
Em vez disso, a política vigente é aplicar os recursos em equipamentos caros e que podem se tornar obsoletos em pouco tempo, talvez antes mesmo da formação dos profissionais necessários para operá-los. Por outro lado, faltam médicos e outros profissionais de saúde nos postos de atendimento básico. Muitos pacientes procuram os grandes hospitais porque não encontram clínicos gerais, pediatras, ginecologistas, enfim, as especialidades mínimas, próximo de suas residências. E esse atendimento poderia evitar que pequenos problemas se transformassem em casos de emergência.
É de chorar.


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