1 de set de 2012

Vamos sobreviver ao progresso?


Na noite desta sexta-feira (31/8), tivemos a honra de participar, ao lado da ex-senadora Marina Silva, da estreia do 2º Filmambiente – Festival Internacional de Audiovisual Ambiental. Numa época em que o apelo visual influencia decisivamente o comportamento das pessoas, contribuindo nas decisões de consumo, a proposta do evento é justamente usar o impacto que o cinema causa para trazer as pessoas à reflexão.
Marina participa do filme Sobrevivendo ao progresso, que levanta uma interessante discussão: será o progresso a causa da extinção humana? O filme, produzido por Martin Scorcese, abordou as questões científicas e biológicas do homem. Os conflitos do progresso e os interesses legítimos de uma camada da população que luta para ter acesso a uma vida com um mínimo de dignidade. O que é progresso, na visão de várias pessoas.

Sobrevivendo ao progresso mostrou também como o  cérebro humano, o nosso  hardware, pouco evoluiu  em comparação à brutal evolução do conhecimento humano e de sua cultura, o nosso software.  Dispomos dos mesmos recursos para processar as informações que acumulamos nesses milhares de anos, e o pior, esses recursos não evoluíram na mesma proporção para lidar com a  complexidade do mundo moderno.

O fato é que ainda estamos, como os homens pré-históricos, condicionados a buscar satisfação no curto prazo, a resolver problemas imediatos, enquanto o desafio que se apresenta nos dias atuais nos obriga a agir pensando em necessidades e problemas futuros.

Outro ponto em destaque é a questão da concentração de poder nas oligarquias. Atualmente, podemos considerar o mercado financeiro como o que tem concentrado  poder de forma anormal e como isso tem se tornado prejudicial à sociedade como um todo. O mundo tem funcionado em função dos interesses dessas oligarquias. Como exemplo, os países em desenvolvimento, que passaram a ter que pagar suas dívidas com a exploração de seus recursos naturais.

A biotecnologia foi mencionada como uma possível solução para alguns dos nossos desafios,  como o da geração de energia, de alimentos, de tratamento de resíduos, só para mencionar algumas aplicações que prometem  revolucionar a  vida como a conhecemos hoje.

No debate que se seguiu à exibição, Marina Silva afirmou que o planeta está em uma esquina ética e vai ter que escolher para onde vai tombar. Segundo ela, a solução não é de cunho tecnológico, mas, antes, ético. Mas a mensagem final é que nada será suficiente se não houver uma mudança de paradigma no comportamento humano e nos seus valores. A começar pela reflexão sobre a busca pelo ser em vez da busca por fazer e ter.
Para quem se interessou pela proposta do evento, a Filmambiente vai até 6 de setembro, com sessões às 13h30 e às 15h30, no Museu do Meio Ambiente, que fica na Rua Jardim Botânico, 1.008. O MuMA não abre no dia 3/9 (segunda-feira). Você pode conferir a programação completa do Festival em:

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