4 de set de 2012

Olho vivo nas OSs



Na noite deste domingo, assistimos chocados a uma demonstração de como a corrupção, a desumanidade e a falta de caráter podem minar a confiança em um país melhor. O programa Fantástico, da TV Globo, mostrou um esquema de desvio de recursos do SUS em diversas cidades do país.
Várias táticas eram usadas. Dupla cobrança por atendimentos, contratação de profissionais em regime de caixa dois e repasses a organizações fantasmas.
Clínicas do Nordeste e também o Hospital de Caridade de São João de Meriti, aqui perto, na Baixada, cobravam pelos procedimentos e repassavam os dados do atendimento ao Ministério da Saúde, que mandava para as unidades o valor do suposto tratamento. A farsa foi descoberta graças ao envio, para a casa dos pacientes, de uma carta do Ministério confirmando o valor repassado à clínica. Dupla cobrança. Roubo.
Outro esquema consistia em cobrar por internações que não existiam. Em Maceió, uma Kombi levava crianças para fazer exames de sangue e os hospitais cobravam pelo tratamento de pneumonia. Essa manobra custou milhares de reais aos cofres públicos.
A contratação sem registro de médicos também foi tema da reportagem. Em São Paulo, uma candidata a uma vaga filmou sua entrevista de emprego. A proposta indecente: contratação em regime de caixa dois. Alguns desses esquemas têm a participação das chamadas organizações sociais, que estão envolvidas na administração de recursos em unidades de saúde da Baixada Fluminense, como o posto de saúde do Pilar, em Duque de Caxias. Um contrato de R$9 milhões de reais mensais pela administração de seis unidades.
Um especialista ouvido pela reportagem resumiu a situação: se roubam em uma ponta, vai faltar em outra. E, assim, milhões de pessoas que dependem da saúde pública, aqui e em outras partes do país, passam pelas situações humilhantes a que, infelizmente, estamos todos habituados a ler, ver e ouvir.
É urgente aumentar a fiscalização sobre as OSs aqui no município. É o dinheiro do cidadão que pode estar sendo mal empregado. A administração municipal não pode alegar desconhecer a conduta dessas empresas, algumas sem fins lucrativos apenas no papel.
Como médico e servidor público, me revolto. Sabemos que não faltam recursos para a saúde. O que falta é fiscalização para a correta aplicação desse montante, vontade política e capacidade de gestão por parte dos administradores.

Vereador Dr. Edison da Creatinina.

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