19 de ago de 2012

A difícil peregrinação do paciente do interior pelo atendimento no Rio de Janeiro



Li no jornal O Globo de hoje uma reportagem sobre um problema que não é novidade para mim, médico da rede pública há 35 anos. Intitulada “O Expresso da Dor”, a matéria de Ruben Berta retrata a difícil viagem de  pessoas que saem de cidades como Porciúncula, Varre-e-Sai, Italva, Natividade, numa van, para conseguir atendimento nos hospitais das redes federal, estadual e municipal do Rio.

O Hospital Universitário Pedro Ernesto, o nosso Hupe, onde trabalho, atendeu, no ano passado, sete vezes mais pessoas de fora no setor de ambulatório do que internações, uma proporção de  24.217 para  3.416. Sabemos que o Hupe é uma unidade de referência para todo o Estado, mas esses números revelam, uma vez mais, o que nós, profissionais da saúde, reivindicamos: a regionalização do atendimento, para que os cidadãos não precisem sair de seu local de origem.

A reportagem informa que apenas em 2011, 40.932 pessoas de outros municípios foram internadas na capital. Número que corresponde a quase 25% do total de 243 mil pacientes.

O Ministério da Saúde repassa verba às cidades para que possam efetivar o SUS em suas unidades de saúde: as pessoas devem ter à disposição a rede de atenção básica para o primeiro atendimento nas unidade de saúde até a emergência, no hospital. E o governo do Estado também deve repassar verba. Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde prometeu investir ainda este ano cerca de R$80 milhões no Programa de Apoio aos Hospitais do Interior.

Infelizmente, o Pacto pela Saúde, documento lançado pelo governo federal em 2006, só teve até o momento a adesão de 37 dos 92 municípios do Estado do Rio. Uma resolução publicada em julho pela União junto com secretários municipais e estaduais de saúde determinou que as cidades cumpram metas estabelecidas no Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde (Coap). Estamos de olho!

Vereador Dr. Edison da Creatinina (PV - 43.000)

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