13 de jul de 2012

Estive na sede da Ahomar para conhecer de perto a luta dos pescadores

O clima frio e o tempo nublado deixam a Praia de Mauá mais triste. A apreensão quanto ao destino da Associação dos Homens do Mar da Baía de Guanabara (Ahomar), pode ser percebida no ar. Desde 2009 os mortos na guerra desigual entre os pescadores e as milícias a serviço de grandes empresas já chegam a quatro. Em 2012 já foram dois. A mão cruel e pesada dos empresários está acabando com uma atividade secular na Baía de Guanabara.
Fui convidado pelo presidente da Ahomar, Alexandre Anderson, a visitar a sede da instituição na companhia de 10 assessores na manhã desta sexta-feira, 13 de julho. Alexandre me mostrou onde ficam os grandes dutos que interligam a Refinaria de Duque de Caxias (Reduc) ao Polo Petroquímico de Itaboraí e passam pela região de Magé.

Ele me contou que essa grande obra está criando uma zona de exclusão, que empurra os pescadores cada vez mais para o lodoso e sujo fundo da Baía, também por causa da poluição avassaladora dos rios do lado da Baixada, inclusive do próprio município. Estou contando os dias para a audiência pública que teremos dia 1 de agosto, na Câmara, às 10 horas, para discutir o tema da pesca artesanal na Baía de Guanabara.

Durante a visita, o presidente da Ahomar, que agora vive noite e dia sob escota policial, me mostrou a praia. A água é um caldo verde, malcheiroso e grosso, que por pouco não poderia levar esse nome. A grande concentração de metais pesados e de esgoto já provocou a extinção de 28 espécies de pescado, entre eles o camarão cinza, robalo, siri patola e siri açu. Os poucos peixes que sobram nem os próprios pescadores recomendam seu consumo.

E se antigamente a pesca era farta, hoje não dá pro sustento mínimo. "Antes era um orgulho a gente seguir a profissão dos nossos pais. Hoje dá até vergonha, nem a gente quer que nossos filhos continuem nisso", lamentou outro pescador.

Logo em frente à Praia de Mauá está a Ilha do Boqueirão, com um terminal petrolífero e uma grande quantidade de peixes de maior valor, mas eles não podem ir até lá. São expulsos por grupos armados, contratados pelas grandes empresas que operam na região. Durante nossa permanência, uma lancha passou a menos de um quilômetro da terra. Quem alertou foi o presidente da Ahomar, Alexandre Anderson.

Alexandre é um sujeito simpático, que não deixa a tristeza transparecer. Um homem de luta, que coordena um grupo amedrontado pelas seguidas ameaças sofridas. Sua presença incomoda, e muito. Ao lado dos amigos e da esposa, seu objetivo é fazer com que as grandes empreiteiras parem de acossar os profissionais. "Eles não respeitam nem a estrada de ferro Guia de Pacobaíba (antiga Estação Mauá, primeira ferrovia do Brasil). Daqui a gente pode perceber até o efeito visual da presença das empreiteiras", me disse, mostrand os grandes dutos que agora ficam ao lado desse monumento.

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