13 de jun de 2012

Com cem mil reais, município do Rio criaria Banco de Peles para transplante necessário a queimados


Cem mil reais são suficientes para montar um banco de peles na cidade do Rio de Janeiro e R$35 mil por mês cobrem custos com pagamento de pessoal e insumos. Esses valores irrisórios para um município com a arrecadação do Rio de Janeiro poderia diminuir o número de mortes entre pessoas que sofrem queimaduras graves. A conclusão surgiu após a audiência pública realizada pela Comissão Especial das Doações e Transplantes de Órgãos e Tecidos.
Presidida pelo vereador Dr. Edison da Creatinina, líder do PV, a comissão é integrada também pelos vereadores Dr. Eduardo Moura e Dr. João Ricardo, ambos médicos. A audiência pública aconteceu dia 13 de junho, no auditório da Câmara, às 18h30. A chefe do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Municipal Souza Aguiar, a pediatra Maria Cristina Serra, lamentou que não haja um banco de peles no Rio. No Brasil, existem bancos em São Paulo, Porto Alegre e Recife. Ela informou que pessoas entre 12 e 60 anos podem ser doadores.
A audiência avaliou a situação dos transplantes, especialmente os de tecidos – pele e córnea. Coordenador do Programa Estadual de Transplantes (PET), o dr. Eduardo Rocha informou que o PET coloca à disposição o número 155 para quem desejar doar tecidos e órgãos. O cirurgião plástico Leonardo Bravo, integrante do CTQ do Souza Aguiar salientou que falta uma campanha educativa com a equipe de saúde.
Paciente que aguarda na fila para transplante de rim, Alfredo Pereira Duarte Filho, se queixou que no site do PET não há informações sobre quanto rins são captados, para onde são destinados, se o paciente está ativo ( os exames necessários para fazer a cirurgia devem estar atualizados) ou não. Ele é presidente da Associação dos Pacientes Renais e Transplantados do Estado do Rio de Janeiro (Adreterj).
“Com o PET melhorou muito, porque não tínhamos nada, mas ainda precisa avançar”, comparou. O médico veterinário Raimundo dos Santos, que fez transplante de rim, sugeriu que seja estabelecido convênio entre o município e o governo federal, para que o Into crie um banco de peles, pois eles já dispõem de um banco para transplantes de ossos.
O médico Eduardo Rocha mostrou que o número de transplantes triplicou no Rio no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado, mas ainda estamos muito atrás dos líderes Santa Catarina e São Paulo.
Coordenadora do Banco de Tecido Ocular do Hospital Municipal São João Batista, em Volta Redonda, a dra. Rose Lages informou que o banco foi criado em agosto de 2010 e, através de parceria firmada com o estado,  agora atende uma rede de 18 unidades hospitalares.
Ela lamentou que, em média, apenas 15 familiares façam notificação todos os meses. Podem ser doadores pessoas de 10 a 71 anos. A doação não é possível nos seguintes casos: vítimas de infecção generalizada, diabéticos, pessoas que tenham hepatite, HIV positivos, portadores de glaucoma.
Por falta de notificação e autorização dos familiares, a situação fica séria quando se trata de córnea. A fila pode chegar a quatro anos. Não há um banco de córnea no município, o que torna tudo mais complicado. Os casos de emergência têm prioridade e o único centro é o Hospital Souza Aguiar, com metade dos órgãos disponíveis para a fila e a outra metade, para as emergências.
Uma das exceções é o Instituto Nacional de Traumalogia e Ortopedia, referência nacional em transplante de ossos: o município alcançou a autossuficiência e faz doação para outros estados.
Para tentar suprir essas carências, o vereador Edison da Creatinina apresentou emendas para melhorar o serviço de transplantes aos pacientes, que somaram R$520 mil. São elas: a ampliação do acesso e qualificação do cuidado em saúde renal através de campanhas nas diversas áreas de planejamento da cidade, no valor de R$80 mil; o treinamento de profissionais nos processos de captação de órgãos nas unidades de emergência, com R$90 mil.
Também estão entre as emendas a criação de banco de pele para atender ao centro de tratamento, com R$220 mil, e a implantação, também no Souza Aguiar, do serviço diferenciado de atendimento a pacientes aguardando transplantes, com R$130 mil.
Dr. Edison da Creatinina mostrou-se indignado com a suspensão da liberação das emendas legislativas pelo Poder Executivo. “Não consigo me conformar com o fato de o legislativo fazer sua contribuição à lei orçamentária e ser simplesmente ignorado pela prefeitura. É um faz de conta que agride minha inteligência. Vamos continuar acompanhando e cobrando a liberação das emendas, para que o interesse público seja atendido e não haja favorecimento aos parlamentares da situação”.

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