6 de nov de 2012

Transplantes: alegria e dor




O Rio acaba de atingir a importante marca de 200 doadores de órgãos captados em um único ano. Esse resultado é inédito na história do estado e foi alcançado dois meses antes do prazo estabelecido pelo Programa Estadual de Transplantes (PET). Ocupando a lanterna no país na área de doação de órgãos até 2010, o Rio registrou nos últimos dois anos o maior avanço nacional em doação por milhão de habitantes, pulando para a atual terceira posição no ranking.
Esse número representa aumento de 50% no total de doadores em relação a 2010, chegando a 121. Segundo dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), o Rio de Janeiro triplicou a relação de doadores. Em uma medição feita por milhão de habitantes, o estado passou de 5,1 em 2010 para 15 em 2012. Os dados são da Secretaria Estadual de Saúde.
São números animadores, sem dúvida. No entanto, outra parte do processo merece mais atenção por parte do governo do estado. Matéria publicada no Dia On Line nesta terça-feira afirma que 300 transplantados renais correm o risco de perder o rim devido à falta de medicamento à base de ciclosporina. A substância é capaz de prolongar a vida de pacientes após o transplante. Deveria ser distribuída gratuitamente pela Riofarmes, mas está em falta, sem previsão de normalização da entrega. 
Segundo a Secretaria, a empresa vencedora da licitação para o fornecimento do medicamento atrasou a entrega e já teria sido notificada. Para não interromper o tratamento dos pacientes, nos casos em que há consentimento do médico que fez a receita, a Superintendência de Assistência Farmacêutica está oferecendo o medicamento na dosagem de 25mg, em substituição ao de 50mg, cujo estoque acabou na primeira quinzena de outubro.
É uma vergonha ver pacientes que esperaram tanto para receber um órgão correrem o risco de perdê-lo por uma questão meramente burocrática. Médicos e profissionais de saúde, que acompanham a dor de quem precisa fazer hemodiálise, sabem como a vida dessas pessoas pode melhorar com o transplante. É inadmissível que atrasos em processos e trâmites coloquem em risco o sucesso do programa. 

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