9 de out de 2012

Por uma nova política




Passada a agitação do período eleitoral, volto aos trabalhos nesta casa, com muita satisfação. Há muitos projetos de interesse da sociedade que precisam ser debatidos e votados.

O debate, aliás, foi o grande ausente neste período eleitoral. Pouco se falou sobre propostas concretas para a cidade. Talvez devido ao pouco tempo disponível para os candidatos no horário político e às regras excessivamente rígidas dos encontros da televisão.

Essa ausência de discussões beneficiou diretamente os candidatos que apoiam o atual prefeito. Sem tempo para as críticas aos pontos ruins, sobressaíram apenas os pontos fortes da atual administração. O resultado disso foi uma ampla vitória da maioria governista, que passa a ocupar 70% das cadeiras da Câmara Municipal.

O que mais chamou atenção, no entanto, foi o grande número de abstenções, que, somado aos votos brancos e nulos representou praticamente um terço do total de eleitores. No Brasil, mais de 22 milhões de pessoas não votaram. Votos em branco e nulos somaram quase 13 milhões. Mesmo considerando os efeitos da Lei da Ficha Limpa, que indeferiu várias candidaturas, é um número altíssimo.

No Rio, mais de um milhão e 600 mil pessoas escolheram não participar do processo. Esses índices precisam ser analisados com atenção pela classe política, pois representa, entre outras coisas, a descrença do povo nos políticos, em geral.

É preciso que se discuta um novo modelo político para o país. O grande número de legendas há muito tempo não representa ideologia alguma, servindo apenas a interesses comerciais, como tempo de televisão; à uma divisão do poder, com o loteamento de secretarias; e a projetos pessoais de poder.

Mesmo discordando dessa opção, pois acredito que o voto é a maior arma do cidadão para mudar o país, é preciso levar em consideração que uma parcela cada vez maior da população, que, em vez de escolher o candidato que tenha propostas que estejam mais afinadas com o seu pensamento, prefere não escolher ninguém para representá-la.

Isso é muito grave, e coloca em risco o próprio estado democrático de direito.

Temos que discutir, tanto em nível nacional quanto municipal que tipo de política estamos fazendo. A política da inclusão, com a participação ampla da sociedade na busca de dias melhores para todos, ou o modelo que visa beneficiar apenas um pequeno grupo, que tenta, a todo o custo, se manter no poder.

Uma boa solução para evitar esse desgaste na relação entre políticos e sociedade seria o voto distrital, com o fortalecimento de vínculos e possibilidade de maior cobrança por resultados, garantindo maior representatividade, impedindo que políticos sem compromisso com a população tenham vida longa.

O povo do Rio deu alguns recados nesta eleição. Os políticos conseguirão decifrá-los? É importante tentar, sob pena de termos nossa legitimidade questionada pelas ruas.

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