11 de out de 2012

A revolução dos bichos




Todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros.
George Orwell



Recebi uma carta, do senhor Hélio Teixeira, que gostaria de compartilhar com os colegas:

“Considerando o número de votos que você obteve a um custo financeiro pessoal pequeno – o que é um grande feito- não seria o caso de aproveitar o momento de comoção política por que estamos passando e divulgar na mídia o seu feito para todo o Brasil? Pode ser exagero, mas não é. O povo não aceita a atmosfera de bandalheira que existe nos partidos e nas campanhas. Com divulgação, sua campanha poderia despertar o país para uma conduta viável, limpa e transparente. Não sou afeito à política e nem tenho informação de bastidores, então, talvez minha pergunta possa ser ingênua. Mas acho que sua campanha foi excepcional e merece destaque, mesmo que não tenha conseguido a reeleição. Quem sabe não seria o começo de um novo jeito de fazer política no país, e um caminho para uma mudança radical em nossos costumes? 'O possível não seria possível se ninguém tivesse tentado o impossível'. Abraços. Hélio”.

São correspondências como essa que me dão a certeza de estar no caminho certo, ao propor uma nova maneira de se fazer política. Quero deixar registrado meu agradecimento.

Eu gostaria de comentar a fala do nobre colega Paulo Messina, na sessão de ontem, já que 
ele pediu verificação de quórum e a sessão foi encerrada, sem que houvesse tempo para que eu pudesse responder.

Segundo um dos princípios da Constituição Cidadã de 1988, todos são iguais perante a Lei. Não existe cidadão de segunda classe, todos têm os mesmos direitos. Essa foi uma vitória conquistada arduamente na luta contra a ditadura.

Não existe vereador biônico. Todos foram eleitos. Alguns, inclusive, contando com os votos recebidos por colegas de partido e os de legenda, sem os quais, talvez, não fosse possível comemorar uma vitória eleitoral.

Todos os que aqui estão representam uma parcela do eleitorado; têm os mesmos direitos que um vereador com mais tempo de casa, incluído aí o direito de fazer parte de comissões e, inclusive, ser líder do partido, se a bancada do partido entender que tem condições para isso. Desqualificar a liderança do partido e chamar de aberração a conquista democrática dessa função é desqualificar o próprio processo democrático.

No discurso de ontem, citei Marina Silva como exemplo de coerência política e de caráter, e não volto atrás uma linha no que disse. Afirmar que uma coisa tão importante como a definição dos rumos de um partido pode ser creditada a uma pessoa que sequer faz parte dos quadros da sigla é de uma leviandade sem tamanho.

É deselegante expor as feridas que o processo eleitoral causa em todos os partidos. É deselegante tomar partido na hora errada, para o lado errado. E mais deselegante ainda é atacar covardemente os colegas de partido e pedir verificação de quórum, encerrando a sessão, sem dar espaço a replica e à chance de se aparar algumas arestas.

Fosse eu deselegante, ou até mesmo mal educado, relembraria as palavras do senador Fernando Collor ao colega Pedro Simon, no Senado Federal: “São palavras que não aceito. Quero que o senhor as engula e as digira, como julgar conveniente”. Mas não sigo esse caminho.

Uma das características mais intrigantes do ser humano é a agressividade, reflexo de nossos instintos mais primitivos. Não importa a idade, não importa a circunstância, em algum momento nos veremos nessa situação. Já a moderação é recomendada quase sempre, inclusive na política. Portanto, agressões físicas ou verbais devem ser evitadas. Jovens políticos custam a aprender a lição. Foi o que vimos neste Plenário na tarde de ontem.

Quanto ao partido, como bem disse Fernando Gabeira, um dos grandes mentores dos verdes, é hora de ter a decência de refletir silenciosamente sobre sua atuação antes de voltar à cena. Como líder do Partido Verde na Câmara Municipal, eleito de acordo com a vontade da maioria da bancada, é bom que se diga, acredito que um bom caminho para essa reflexão seria o recolhimento.

Responder a acenos políticos de ocasião, além de ser péssimo para a imagem do Partido, soa como uma ofensa e um desrespeito à imagem de uma sigla que se notabilizou por propor soluções alternativas para a cidade, longe da velha política, tão cara a algumas agremiações e, ao que parece, a alguns colegas também.

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