29 de fev de 2012

Helicópteros: o céu também precisa de limites

"Foto cedida pelo movimento Rio Livre de Helicópteros"
Quem visita o Rio, quer conhecer seus mais belos pontos turísticos e pode custear um passeio de helicóptero, tem à disposição os mais esplendorosos e interessantes roteiros de voos panorâmicos. As chamadas das empresas que promovem os passeios falam em voos que duram até 60 minutos de deleite e prazer. Não é para menos. Podemos imaginar o espetáculo para quem se aproxima do Cristo Redentor, é muita beleza digna de se experimentar.

Toda essa beleza para se admirar em voo de helicóptero está no meio da cidade, pois o Rio tem não somente muitos pontos turísticos como uma boa parte da cidade já é uma visão cênica, um patrimônio natural, histórico e paisagístico.

Agora passemos a imaginar a mesma cena de helicóptero do ponto de vista de quem mora nos locais que circundam o morro do Corcovado, nos bairros do Humaitá, Lagoa, Jardim Botânico, Botafogo, Gávea, Fonte da Saudade, para citar somente a Zona Sul, cujos moradores escutam o barulho dos voos turísticos ao redor do Cristo Redentor durante todo o dia, mas não estão passeando. Eles vêm sentindo bastante e reclamando muito também.

Assim como aconteceu recentemente com os pousos e decolagens do aeroporto Santos Dumont, quando o ruído causado pelo tráfego aéreo e o incômodo provocado pelos faróis das aeronaves em residências colocou os moradores de oito bairros do Rio de Janeiro - Cosme Velho, Botafogo, Urca, Santa Tereza, Laranjeiras, Flamengo, Catete e Glória, e ainda de Niterói, protestando. Na época se conseguiu inclusive reduzir os horários de operação, mas uma liminar da Infraero retornou com o ruído das turbinas independente das restrições de licenciamento do órgão ambiental.
Rotas especiais para helicóptero na cidade do Rio.
Fonte: Departamento de Controle do Espaço Aéreo.
A densidade populacional cresceu nos últimos anos e os aviões passaram a trafegar sobre muito mais residências. Constatou-se também que os estudos da Infraero no pedido de concessão de licença ambiental eram antigos e não consideravam a atual situação. Avanços e recuos vão continuar acontecendo nesses processos onde épreciso reflexão e debate mais amplo sobre a cidade em que queremos morar e trabalhar.

O movimento intitulado “Rio Livre de Helicópteros” está protestando contra os longos voos turísticos principalmente em volta do Corcovado. Para essas reclamações a nós encaminhadas, buscaremos uma forma de ampliar a sua voz. Todos entendem que existem serviços de utilidade pública prestados pelos voos de helicóptero que a cidade, com a configuração que tem atualmente, incorporou ao seu sistema de vigilância e segurança, além dos serviços privados de variadas naturezas.

Porém ficar repetindo o bordão da cidade que nunca dorme é uma falácia. Dormir é tão importante para o corpo quanto comer e fazer exercícios, assim como os períodos de repouso e silêncio ou redução de ruído podem propiciar os melhores momentos de criatividade e produção artística das comunidades de moradores.

Buscar urgentemente uma medição dos ruídos das aeronaves em todos os bairros sobrevoados por elas, onde se identifique os picos dos ruídos e as horas em que acontecem, para encontrarmos soluções que contemplem todos os envolvidos é o primeiro passo.

Enquanto uma análise técnica não acontece, que não sejam concedidas novas autorizações às empresas que promovem os passeios de helicóptero até ficar claro quais os incômodos causados à população pelos voos de turismo e quais as medidas mitigadoras desses incômodos. É tão simples, por que não ouvir a população?

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