22 de jun de 2011

Recreio dos Bandeirantes tenta uma saída para seus jacarés

Discurso em Plenário, 22/06/2011

O tema que me traz hoje aqui é aparentemente exótico. São os jacarés-do-papo-amarelo, que foram novamente tema de matéria recente de O Globo.

Embora essas aparições já tenham sido registradas em matéria anterior no mesmo jornal, em 2005, a mobilização de moradores levou novamente a reportagem até o Recreio dos Bandeirantes.

Esta região faz parte da baixada de Jacarepaguá, que em tupi significa exatamente lagoa rasa de jacarés.
O fato é que, se formos bem mais atrás na história, desde 1500 há registros de que o Caiman latirostris, nosso jacaré-do-papo-amarelo, é carioca. E nunca deixou a cidade, apesar de a poluição dos nossos rios ser facilmente sentida à menor inspiração.

A ênfase das matérias também não mudou. Sempre se insinua um perigoso convívio entre esses animais e os moradores.

Alguns moradores ou visitantes agora fizeram imagens dos animais. Em uma delas, aparece um jacaré com mais de dois metros de comprimento. Meus assessores fizeram fotos ontem no local. Quero enfatizar aqui que qualquer um de nós que vá lá agora conseguirá sua foto de jacarés em grupos pegando sol, seja na beira das lagoas ou na beira dos canais do Recreio.

Talvez não possamos fotografá-los no futuro, se prevalecer o texto do Sr. Deputado federal Aldo Rebelo, que alterou as Áreas de Preservação Permanente, as APPs, nessa proposta esdrúxula que contraria todos os princípios técnicos alterando um Código Florestal que foi construído por técnicos do Ministério da Agricultura!

Sabiamente a Secretaria de Meio Ambiente da Cidade, a SMAC, reservou na nossa cidade áreas que se destinam a manter condições para que preservemos nosso patrimônio natural.
Essa área onde ficam os jacarés, no Recreio dos Bandeirantes, sempre sofreu invasões, desmatamentos e venda ilegal de terrenos, até por imobiliárias ou posse de grileiros.
Foi a área para onde nossa cidade cresceu, e cujo desenvolvimento sempre motivou inúmeras manifestações do Partido Verde e de moradores, interessados na preservação das últimas "ilhas de paisagens" da cidade.

Em 1989, a Associação de Moradores do Recreio dos Bandeirantes (AMOR) iniciou uma campanha de mobilização para a criação de um Parque na área da Lagoinha das Tachas juntamente com o apoio da Região Administrativa da Barra da Tijuca e da, então, Superintendência de Meio Ambiente (não existia Secretaria de Meio Ambiente, na época). O nome do parque, Parque Chico Mendes, foi dado em homenagem ao famoso líder dos seringueiros e ecologista, brutalmente assassinado em dezembro do ano anterior, em Xapuri, no Acre. Mais tarde outro movimento produziu a proteção da área onde é hoje o Parque Marapendi. As duas áreas são áreas de espécies animais e vegetais raras sofrendo enorme pressão da cidade que tentou crescer por cima delas.

Faço daqui um alerta que devemos evitar o pânico, um clima de histeria, que induza a uma violência desmesurada contra os animais, que não devem ser atacados, apedrejados, tocados, pois assim reagem com violência.

Não há motivos para sustos quando respeitamos a natureza. Trago aqui a ficha científica deles e um breve resumo de sua ecologia:

Nome vulgar: JACARÉ DE PAPO AMARELO
Classe: Reptilia
Ordem: Crocodylia
Família: Alligatoridae
Nome científico: Caiman latirostris
Nome inglês: Broad Snouted Caiman
Distribuição: Litoral do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul
Habitat: Lagoas litorâneas
Hábito: Noturno
Comportamento: Grupo
Reprodução: Põe de 30 a 60 ovos.
Incubação: 3 meses
Nº de filhotes: 20 a 40
Alimentação na natureza: Mamíferos, peixes e aves
Alimentação em cativeiro: Mamíferos, peixes, aves e carne
Causas da extinção: Destruição de seu habitat


Tem vida quase que exclusivamente aquática. Sai para caçar principalmente à noite e, durante parte do dia, forma grupos, para tomar sol. Réptil contemporâneo dos grandes dinossauros que habitavam a Terra há milhões de anos, conseguiu sobreviver às grandes transformações do planeta. Mas não tem resistido à ação do homem "civilizado", estando hoje incluído na lista dos animais ameaçados (IBAMA). Sua extinção deve-se principalmente à destruição do seu habitat e à poluição dos rios. No Rio de Janeiro, vem aos poucos desaparecendo devido à drenagem de pântanos, aterro de alagados e derrubada de matas de restinga”.

Lembrando que estamos na área número um em diversidade do Planeta, que precisamos proteger, encaminho indicações ao Senhor Prefeito para realização de novas campanhas educativas e sinalização específica de conscientização.

foto: Barbara Perrut

foto: Barbara Perrut

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