8 de fev de 2011

Desativação da SICARD mobiliza pacientes

Na tarde do dia 8 de fevereiro, o Vereador Dr. Edison da Creatinina, acompanhado de um grupo de pacientes subitamente removidos da Clínica de Hemodiálise SICARD, foi recebido pelo Secretário Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio, Hans Dohmann, e pelo Subsecretário de Atenção Hospitalar, Urgência e Emergência, João Luiz Costa.

Com a construção da Transcarioca, um corredor de ônibus articulados para ligar vários pontos da cidade, a Prefeitura do Rio desapropriou o imóvel onde funcionava a clínica de hemodiálise, situada na Rua Domingos Lopes nº 371, próximo ao Corpo de Bombeiros de Madureira.

A notícia da desativação da clínica deixou desesperados 198 pacientes dependentes da diálise (nota abaixo), pessoas debilitadas e fragilizadas pela doença renal crônica, e que realizam o procedimento três vezes por semana. A transferência para uma clínica mais perto de suas casas seria o mais adequado, porém 90 pacientes foram encaminhados pelo SUS para o município de São João de Meriti e 38 para Duque de Caxias, ou seja, deslocamentos para fora do município de moradia.

O encontro foi proveitoso, mas não foi conclusivo. Ao explicar a não ingerência da Secretaria Municipal na determinação das transferências, o Secretário Hans Dohman acrescentou que a posição técnica do Ministério da Saúde foi de que nas clínicas próximas à Sicard não haveria vagas disponíveis para atendimento pelo SUS. Os pacientes e seus representantes presentes à reunião, apesar de descontentes, aguardam mais confiantes agora com um parlamentar lutando pelo seus direitos.

"Ficou claro na reunião que se trata de uma situação de cidadania deslocada de seus direitos" disse o Dr. Edison, reforçando o sentimento de indignação dos cariocas colocados em tratamento complexo para fora de casa. Ele busca uma agenda com o Prefeito Eduardo Paes e uma conversa com o Secretário de Estado de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Côrtes, para tratar do assunto.


Imagem: Sábado, 05-02-2011, Rua Domingos Lopes, Madureira, Rio de Janeiro, RJ. Dr. Edison visita a área das desapropriações, as demolições já estão começando.
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Nota: diálise
A diferença entre fazer diálise e ter o rim funcionando normalmente é que na diálise o paciente passa por três sessões de quatro horas, doze horas semanais, de limpeza do organismo porque ele não urina. Um rim normal trabalha vinte e quatro horas por dia, sete dias na semana, perfazendo um total de cento e sessenta e oito horas semanais de limpeza do organismo. Portanto, ao fazer diálise o paciente fica cento e cinquenta e seis horas semanais sem limpar o organismo (168 -12=156).
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Um comentário:

  1. É ISSO AÍ, DR. EDISON!
    APOIO INCONDICIONALMENTE A ESTA CAUSA!
    É UM ABSURDO O QUE FIZERAM COM OS PACIENTES, E PRINCIPALMENTE PELO FATO DE SEREM DESLOCADOS PARA TÃO LONGE!
    ACHO QUE OS PACIENTES DEVERIAM SER CONSULTADOS ANTES DE SEREM TRANSFERIDOS SEM MAIS NEM MENOS PARA OUTROS MUNICÍPIOS, MESMO QUE NÃO HOUVESSE VAGA NAS CLÍNICAS PRÓXIMAS!
    ENTÃO O DOENTE RENAL O QUE É? APENAS UM NÚMERO, PARA AS AUTORIDADES? NÃO SÃO NÚMEROS ESCRITOS EM UM PAPEL OU COMPUTADOR, SÃO SERES HUMANOS.
    PARABÉNS PRO SENHOR QUE ESTÁ EM DEFESA DESSAS PESSOAS!
    ROSEMARY

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