14 de nov de 2012

Nadando contra a corrente



No momento em que se discutem maneiras de melhorar a mobilidade dos grandes centros urbanos, duas notícias merecem análise: o começo das obras de demolição da Perimetral e a inauguração de um complexo de torres comerciais no Centro.

A despeito das reclamações de milhares de pessoas, que dependem da via para chegar ao Centro e à Zona Sul, a prefeitura já decidiu como fará a derrubada do elevado. De acordo com o plano, apenas uma faixa da Avenida Rodrigues Alves estará aberta ao trânsito entre a Rodoviária e a Cidade do Samba. O prefeito já disse que o desconforto será grande, mas que quando tudo ficar pronto, a vida vai melhorar.

Quero muito acreditar nisso, mas, baseado no que vemos, a coisa só tende a piorar. Estamos investindo cada vez mais dinheiro para abrir espaço para carros, sem considerar o transporte de massa. Sabemos que nessa obra há a previsão de instalação de uma rede de veículos leves sobre trilhos (VLTs), mas apenas isso não será suficiente. Enquanto vemos nos jornais o espantoso desenvolvimento da rede de metrô de cidades chinesas, como Xangai, com mais de 50km construídos por ano, o que dizer do Rio?


Se, por um lado, a construção das torres na Rua do Senado trouxe novos ares para uma região degradada, com a reforma de casarões e a chegada de lojas, restaurantes e livrarias, por outro, o grande número de automóveis que passará a circular por ali vai causar ainda mais transtornos para o já saturado trânsito do Centro.

O complexo de prédios contará com duas mil vagas de estacionamento. A construtora argumenta que uma pesquisa entre funcionários da Petrobrás mostrou que 70% deles se desloca para o trabalho de carro. Tantas vagas de estacionamento a mais podem se tornar um perigoso estímulo ao transporte individual, colocando em risco qualquer plano de mobilidade.

É importante lembrar que no terreno onde os prédios foram construídos estava prevista a construção da estação Cruz Vermelha do metrô. A comunidade lutou, batalhou, mas o governo do estado ignorou os pedidos pela retomada da construção do prolongamento da linha dois até a Carioca, passando pela Cruz Vermelha e Catumbi, optando pelo compartilhamento da linha entre Central e Botafogo.

A estação traria enorme conforto a milhares de moradores, trabalhadores e pacientes dos inúmeros hospitais da região, que não precisariam mais se deslocar até a estação mais próxima, que é a Central. Essa é uma luta de décadas, e que precisa voltar agora, quando um grande contingente de pessoas vai sobrecarregar o já caótico trânsito da região.

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