26 de set de 2012

Como funciona o programa de transplantes




Sou médico nefrologista, com quase 35 anos dedicados exclusivamente à rede pública de saúde. Por ter participado de muitos transplantes, conheço bem a dor dos pacientes e suas famílias.

Quando defendo a causa da doação de órgãos, muita gente critica o programa, acusando-o de ser pouco transparente. Hoje vou explicar como funciona o programa de transplantes.

O procedimento pode ser feito com doadores falecidos ou vivos. Entre os vivos, existem dois grupos. Os relacionados (como pai, mãe, irmãos) e não relacionados (esposa, marido, cunhado etc.).

Alguns exames precisam ser realizados, como o grupo sanguíneo, a dosagem de creatinina e glicemia, entre outros tantos: tudo para diminuir a possibilidade de rejeição e para tentar garantir a saúde futura dos doadores.

Quando o doador é falecido, então, o esquema é ainda mais complexo. Dois médicos precisam atestar a morte encefálica do indivíduo, com exame de fluxo sanguíneo, em intervalos de seis horas.

A essa altura, outra equipe, já munida dos dados clínicos do doador, busca o receptor mais adequado, na lista oficial. Não existe mais ordem cronológica. O que vale é a compatibilidade genética entre doador e receptor, com base nos grupos sanguíneos e sistema HLA (que determina genes envolvidos com a resposta imune em diversas condições, como doenças, transplantes e reações a medicamentos.).

No Rio de Janeiro, os hospitais responsáveis pelos transplantes são o Pedro Ernesto, o Hospital Geral de Bonsucesso, o Hospital da UFF, o Hospital Silvestre e o Clementino Fraga Filho, da UFRJ, no Fundão.




Durante todos estes anos, com pouquíssimas ressalvas, pude conferir a seriedade com que o programa de transplantes é tratado. O grande desafio é fazer a aproximação de maneira correta com as famílias, em hora dificílima, com a perda de entes queridos.

Além da dor da perda, há o medo de deixar o doador falecido desfigurado. Nada disso acontece. O corpo é tratado com todo o respeito. Outros fatores, como questões religiosas e morais, também influenciam a decisão das famílias na hora de permitir ou não a doação. Vale dizer que nenhuma religião impede a doação.

Mas o que vai definir mesmo é a decisão pessoal de cada um, o que costuma ser respeitado pelas famílias. Por isso, você, que se identifica com a causa e deseja ser doador de órgãos, deve comunicar esse desejo à família.

Os órgãos que podem ser doados são os pulmões, o coração, o fígado, os rins, o pâncreas e o intestino. Entre os tecidos, as córneas, a pele e os ossos.

Para encerrar, convido a todos para participar das atividades do Dia Nacional do Doador de Órgãos, nesta quinta-feira, a partir das 08 horas, na frente da Câmara do Rio. Doe órgãos, converse com sua família.

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