28 de mai de 2011

Minuto de silêncio na Câmara do Rio

Na sessão de plenário de 25 de maio, na Câmara dos Vereadores, o vereador Dr. Edison da Creatinina fez um discurso sobre o assassinato do casal de líderes extrativistas José Claudio Ribeiro da Silva e sua esposa Maria do Espírito Santo da Silva, que denunciavam crimes ambientais na região amazônica e sobre a aprovação do Código Florestal que neste novo formato beneficiou desmatadores e outros crimes. Ao final solicitou ao Plenário a observação de um minuto de silêncio pelos ambientalistas.


Veja o conteúdo do discurso abaixo:

Hoje o Brasil amanheceu em franco retrocesso político. Acompanhamos pelas TVs, estarrecidos, à votação e aprovação na Câmara dos Deputados do projeto de Lei 1876/1999. Pior ainda foi a notícia do assassinato de Zé Claudio e sua esposa, líderes extrativistas na Amazônia.
Quatrocentos e dez (410) deputados votaram no prosseguimento da tramitação, nos moldes propostos pelo relator Aldo Rebelo, abertamente associado àqueles que além de irresponsavelmente desmatarem e envenenarem nascentes de rios e Áreas de Preservação Permanente estão associados aos crimes como os que ceifaram a vida de Chico Mendes e da irmã Dorothy Stang e agora, José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, líderes de Projeto Extrativista, integrantes do mesmo Conselho Nacional das Populações extrativistas, fundado por Chico Mendes.
Em novembro do ano passado, Zé Claudio em sua palestra no TEDxAmazônia alertava exatamente para esse retrocesso.Num trecho do vídeo que está disponível no site do TEDxAmazônia, ele diz: “A mesma coisa que fizeram no Acre com Chico Mendes, querem fazer comigo”.
(Vale rever a palestra: http://www.tedxamazonia.com.br/tedtalk/ze-claudio) da extração de castanhas e outras frutas da floresta. O lugar onde morava é protegido pelo Código Florestal e o corte de árvores, ilegal. Assim, Zé Claudio negava-se a negociar as árvores com os madeireiros da região. A pressão era grande: muita gente já tinha abandonado o assentamento e vendido, ilegalmente, as terras. Zé Claudio denunciava os crimes e, por isso, as ameaças eram constantes e se consumaram como uma comemoração mórbida dos eventos que culminaram no texto aprovado ontem no Congresso, liberando desmatamentos e ocupações de áreas. Fomos testemunhas, ao vivo,  dessa forma inconseqüente de aprovar leis com resultados diretos em nosso Estado, quando encostas despencaram com as chuvas, dizimando milhares de vidas em janeiro deste ano.
A mesma arrogância e soberba mostrada ontem no Plenário da Câmara Federal pelo relator e seus asseclas se explicitou no assassinato torpe, com detalhes de extrema crueldade contra o casal de ambientalistas na manhã desse mesmo dia infeliz, que num festim macabro terminou com a remoção de partes do corpo das vítimas. Nas próximas semanas o projeto de Lei irá para o Senado, seguindo depois para a Presidência da República se não for alterado. É importante acompanharmos este processo e procurarmos os Senadores, buscando pressionar para que não votem desinformados, influenciados por interesses pessoais ou dos financiadores de suas campanhas. Peço um minuto de silêncio...

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